A região do alto Tâmega, abrange uma área, aproximada, de 2 922 km2 compreende os municípios de Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar e corresponde à sub-região estatística NUT III – alto Tâmega, da Região Norte de Portugal, de acordo com a Lei nº 75/2013 de 12 de setembro.

De acordo com os censos de 2011, a população do alto Tâmega atingiu os 94.371 habitantes, porém, se considerarmos a população total das regiões envolventes (Norte de Portugal, Galiza, Castela e Leão), atinge-se um universo de mais de seis milhões de pessoas que podem, com facilidade, estabelecer relações diretas e/ou indiretas com qualquer um dos seus seis concelhos em variadíssimos contextos (comercial, cultural, serviços, turismo, entre muitos outros).

A centralidade estratégica do alto Tâmega no sistema territorial do Norte de Portugal sai reforçada quando este se enquadra no sistema territorial da Euro-região Galícia-Norte de Portugal (G-NP), com a qual partilha afinidades históricas, culturais, linguísticas e económicas e, mais recentemente, institucionais.

Sendo uma região de interior (embora estrategicamente situada), o alto Tâmega é também uma região de fronteira. A dimensão e a história da sua fronteira com a Galiza permitiram o reconhecimento de regiões transfronteiriças com características peculiares e justificaram entre outras iniciativas, a criação da Eurocidade Chaves-Verín, estando deste modo criadas condições ímpares à divulgação e promoção dos eventos do alto Tâmega no outro lado da “fronteira”, garantindo desta forma um espaço alargado de atratividade às dinâmicas do alto Tâmega.

As acessibilidades, até há poucos anos consideradas como um dos principais constrangimentos ao desenvolvimento do Alto Tâmega (e marca da interioridade), são agora um dos trunfos desta região (do ponto de vista de quem vem do interior sul ou do litoral de Portugal, ou da Galiza), pois a abertura dos eixos rodoviários A24 e A7, aliada à proximidade da A52 (Auto-via das Rias Baixas), colocam-no a poucas horas de distância do litoral português e do galego, e de centros tão importantes como Porto, Braga, Guimarães, Santiago de Compostela, Coimbra, Guarda, Zamora, Lisboa ou Madrid.

O alto Tâmega é ainda caracterizado por paisagens de montanhas, planaltos e vales encaixados, heterogeneamente distribuídos pela região, da qual participam, no todo ou em parte, as serras da Padrela, Gerês, Barroso, Larouco, Cabreira, Falperra e Alvão.

O alto Tâmega apresenta recursos energéticos eólicos em fase de clara expansão, bem como recursos geológicos e minerais que estão na origem de várias explorações, com altos e baixos, ao longo da sua história: granitos; ouro e prata (Jales, Gralheira e Tresminas) e, volfrâmio (Borralha).

 

mapa do alto tâmega

Os seus recursos hídricos envolvem parte das bacias dos rios Tâmega, Corgo, Tua, Rabaçal, Torto, Tinhela, Bessa, Cávado, Homem, algumas das quais estão na origem de albufeiras com aproveitamento hidrelétrico, regadio e lazer.

As fortes marcas da romanização desta parte do território nacional constituem-se como um grande atrativo turístico e alicerçam uma estratégia de promoção regional a desenvolver e aprofundar com a consistência proporcional à atratividade que se pretende obter, através de candidaturas a fundos comunitários.

Os recursos endógenos da região e o valor acrescentado que se pretende vir a conseguir em adição à exploração, através da fixação de financiamentos provenientes dos diferentes períodos de candidaturas a fundos comunitários, contribuirão também fortemente para alavancar a atratividade desta região do alto Tâmega e terão um papel fundamental na rede diversificada de fatores diferenciadores que se pretendem potenciar para afirmar e melhorar a competitividade regional.

No que respeita ainda a outros recursos naturais, o alto Tâmega oferece águas minerais naturais de qualidade reconhecida a nível nacional e internacional, das quais se destacam as nascentes de Salus, Campilho, Vidago, Pedras Salgadas e Carvalhelhos, para além de outras nascentes de águas minerais naturais por explorar, que emergem em vários locais dos concelhos que integram este território.

O clima do alto Tâmega é considerado, de uma forma geral, como confortável e confortável fresco, sendo que na zona do barroso o clima é fresco, com nevões frequentes no Inverno.

Quanto aos solos, apresentam, na sua maioria, alguma aptidão para pastagens e para exploração florestal, sendo menos os que têm boa aptidão agrícola, estes, de uma forma geral, concentrados nas veigas. A região oferece, mesmo assim, produtos de boa e distintiva qualidade e, alguns, já com certificação e uma rendibilidade apreciável. Produz-se em abundância castanha, batata, carnes e alguma fruta, vinho, mel e azeite.

A existência de um património natural que integra ecossistemas diversificados, dos quais fazem parte parques naturais, reservas ecológicas e áreas protegidas, acrescidas de sítios de relevante valor paisagístico, e respetivos miradouros e pontos de interesse, justificam que se fale de áreas de interesse turístico.

Esta região conserva também numerosos vestígios do passar dos tempos e que estão na origem de importante património construído que testemunha os períodos marcantes da história: neolítico (mamoas, arte rupestre,…), castros da idade do ferro, romanização (habitats, muralhas, termas, vias de comunicação,…), época medieval (povoados, castelos, sepulturas,…), arquitetura tradicional (fornos, casas tradicionais,…), arquitetura senhorial (casas solarengas, fontes…), arquitetura religiosa (alminhas, igrejas, cruzeiros,…).

 

Em síntese, a região do Alto Tâmega apresenta-se como um território de oportunidades, com reconhecidas potencialidades no âmbito do turismo, para as quais contribuem, entre outras, as seguintes especificidades:

-uma região arquétipo da interioridade e da ancestralidade no contexto do Norte de Portugal, do Sul da Galiza e de Trás-os-Montes;

-uma região-lugar de comutação ancestral da portugalidade e da galicidade, que soube, em cada época, aproveitar as circunstâncias para encontrar as respostas aos novos   desafios (contrabando, antes, rotas do contrabando, agora; coutos mistos, antes, rotas turísticas dos coutos mistos, agora; fronteira-lugar de transição, antes, euro-região e euro-cidade, agora);

-uma região com um património natural diversificado e de eleição: montanhas, vales, rios, ribeiros, bosques de espécies autóctones, parques naturais, pontos de interesse             paisagístico;

-uma região com artesanato peculiar: os barros e cestaria de Nantes, as mantas de Soutelo e Dadim, os linhos de Ribeira de Pena, as capas de burel do Barroso, entre outros.