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TOMADA DE POSIÇÃO CONJUNTA SOBRE O ENCERRAMENTO DE AGÊNCIA DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS NO ALTO TÂMEGA (PEDRAS SALGADAS, VILA POUCA DE AGUIAR)

 

O Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e o Conselho Directivo da Associação de Municipios do Alto Tâmega, que integram os Municipios de Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, deliberaram por unanimidade manifestar ao Governo e ao Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, o profundo desagrado e enorme preocupação com o encerramento da Agência da Caixa Geral de Depósitos na vila termal de Pedras Salgadas, concelho de Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real, NUT III Alto Tâmega.

Nesta carenciada região, a vila termal de Pedras Salgadas é não só um essencial polo de atração turística como também um relevante centro atrativo de potenciais investidores nacionais e internacionais, onde o recurso da água aos mais diferenciados níveis se revela como um fator nuclear e positivamente diferenciador na estratégia global da região.

A região do alto Tâmega propõe, essencialmente, uma oferta de Turismo Termal e de Turismo em Espaço Rural – duas vertentes bastante procuradas como oportunidades de lazer e relaxamento. São amplamente reconhecidas as várias termas da região pelas suas caraterísticas específicas, elevadas temperaturas e propriedades medicinais. No Alto Tâmega, é possível encontrar as Termas de Chaves, com uma longa tradição de exploração que remonta aos Romanos; as Termas de Vidago; as Termas de Pedras Salgadas com quatro nascentes com águas hipotermais; e as Termas de Carvalhelhos. (Estas últimas, ainda que desativadas, abrangem águas termais com propriedades medicinais e com elevada potencialidade de exploração). De salientar ainda que o Município de Vila Pouca de Aguiar tem ainda pendente, na Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a formalização de uma nova concessão mineral, com exploração industrial e termal, denominada Águas do Cardal.

Importa reconhecer assim a transversalidade do recurso água e reforçar o papel deste como um dos principais agregadores do território do Alto Tâmega, constituindo-se o Parque de Pedras Salgadas como um dos Parques termais mais emblemáticos de Portugal.

O recurso Água surge assim como elemento central à maioria das temáticas exploradas no Alto Tâmega. Salienta-se, designadamente, a sua relação com a produção agrícola, com a geração de energia, com a atividade turístico-termal e com a própria imagem externa do território.

O Alto Tâmega é um território detentor deste recurso único e com um potencial estratégico de grande relevância. Este recurso é fortemente potenciador de dinâmicas próprias e de agregar o Turismo de Bem-Estar suportado no Termalismo, Desporto e Natureza. Faz parte do plano estratégico da região criar condições que incentivem o surgimento de um cluster com capacidade de projetar o setor da Água – Cluster água, saúde e bem-estar.

O encerramento – previsto para dia 29 de junho – da Agência da Caixa Geral de Depósitos na vila termal de Pedras Salgadas, é um forte revés na estratégia de desenvolvimento e proximidade com as populações definida pelos autarcas do Alto Tâmega, acarretando para a população desta vila nefastas consequências, invertendo, uma vez mais, as expectativas criadas em sucessivos anúncios anteriores, de várias medidas de discriminação positiva a tomar para a revitalização do interior e dos territórios de baixa densidade populacional.

Não sendo particularmente favoráveis as condições que os Municípios do interior enfrentam para encontrar caminhos que permitam minorar o drama económico e social que os seus territórios e a população que neles reside atravessam, mas sabendo-se o papel importante que os Municípios neles desempenham, direta ou indiretamente, quer na criação de emprego, quer favorecendo a existência e manutenção de algumas pequenas e médias empresas, desde logo através dos investimentos que fazem localmente, espera-se que o Estado não venha agravar as dificuldades que nesses concelhos se sentem para dinamizar o tecido económico local.

Assim e neste momento, reina na população e nos seus governantes locais um forte sentimento coletivo de indignação e de abandono por parte dos agentes nacionais.

Mais deliberaram, também por unanimidade, tornar publica esta missiva a enviar ao Exmo. Senhor Presidente da República, ao Exmo. Senhor Primeiro Ministro do XXI Governo Constitucional, ao Exmo. Senhor Ministro das Finanças, ao Exmo. Senhor Ministro da Economia, e ao Exmo. Senhor Presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos.